Por onde andou ou andará o Autoramas? Quem sabe na Europa?!

Pauta: Autoramas

 

Depois de 55 shows (durante os meses de maio e agosto) no verão europeu, o AUTORAMAS voltará à Europa em 30 de Outubro de 2014, presença confirmada no sensacional FUNTASTIC DRACULA CARNIVAL, em Benidorm, na Espanha ! Ingressos esgotados! Os cariocas ainda disponibilizaram dois vídeos (um deles um show completo no Reino Unido) que registram essa mega tour para os padrões brasileiros em continente europeu. É isso aí.

“Sobre Noites e Dias” é o sexto álbum de Lucas Santtana; e você vai adorar saber.

Lucas Santtana por Loiro Cunha

Lucas Santtana por Loiro Cunha

Saudações, abaixo além do release pra lá de inspirado e detalhista de Alexandre Matias, as faixas do sexto trabalho de estúdio do baiano Lucas Santtana,“Sobre noites e dias” o sucessor do excelente O Deus Que Devasta Mas Também Cura certamente veio para entrar não só no sua lista de melhores de 2014, como no top 3 do inspiradíssimo artista.

As cordas do quarteto Oslo Strings repetem-se lentamente sobre uma sequência de acordes, como um tear mecânico que programa uma matriz sonora hipnótica. Lucas Santtana canta desde o primeiro segundo, sua voz manhosa e quieta de bom baiano contrapondo-se ao tom épico criado pelas cordas. Canta em inglês, conversa com computadores, tablets e smartphones – “máquinas complexas, seres complexos”. Sobre as cordas surgem outros instrumentos – a linha de baixo de Caetano Malta, beats e efeitos sonoros disparados pelo produtor Bruno Buarque, synths conduzidos por Lucas, ruídos de Zé Nigro, o piano de Zé Godoy e o clarone de Juliana Perdigão vão se envolvendo à textura do quarteto até que a exatos dois minutos após o início da música Lucas pergunta-se sobre as dúvidas destes seres, que nos escravizam através do tempo. “Onde está o tempo humano?”, cobra o compositor sem afobação no momento em que “Human Time” se revela em toda sua grandiosidade.

Estamos entrando em um território de ficção científica, mas não há alienígenas, robôs ou dimensões paralelas. A jornada proposta por Lucas no início de sua conversa é estranhamente familiar, mesmo quando a atriz Fanny Ardant sussurra a letra em francês.. Ao nosso redor o brilho de telas que respiram como plantas cria uma redoma de futurismo tecnológico que parece dar o tom do disco, mas os beats vão se reduzindo a uma batida que nos remete a uma máquina de escrever e a música some de repente, ao contrário da forma que começou.

“Human Time”, no entanto, nos engana. Lucas Santtana não está falando do futuro, não está projetando nada para depois de amanhã. Não é ficção, nem científico. Ele está falando de hoje – e a segunda faixa de seu Sobre Noites e Dias, o “Funk dos Bromânticos” nos leva para o extremo oposto da canção anterior. Cantada em português, é um funk carioca como seu título entrega. Mas que cordas são essas, arranjadas pelo próprio Lucas? E esses timbres de guitarra do Junix 11, de onde vêm? E esses tambores digitais tocados por Omulu e Daniel Haaksman? E linha do Seco Bass, que soa como um sapo? E a Camila Pitanga fazendo beatbox? Atéo s “bromânticos” do título – casal que transcende os gêneros no início do século 21, “ela não é gay, ele não é viado e não são mais classificados” – é tão alienígena quanto corriqueiro. Lucas está enfatizando as mudanças de nosso tempo e mostrando que por mais que os conceitos do mundo atual pareçam estranhos, eles são bem mundanos e conhecidos. Descemos da transcendência tecnológica para uma festa de beijos sem culpa.

E o disco segue apontando novos rumos. “Let the Night Get High”, apesar de seu título-refrão em inglês, é cantada em espanhol. Aqui sua banda básica – sua guitarra africana, o baixo firme de Caetano Malta e os efeitos rítmicos de Bruno Buarque – se junta ao sax endiabrado e à flauta eletrônica de Thiago França, numa jam session que desbrava a noite. O clima é tenso e audaz, marginal e íntimo. “Por que el drama?”, pergunta-nos com um sorriso malandro.

Lucas diz que Sobre Noites e Dias reúne crônicas do dia a dia, mas ele não está apenas contando pequenas histórias – ele vem flagrando as mudanças e transformações deste início de século, os paradoxos e contradições da vida pós-moderna e a forma como superamos estes dramas, assimilando-os à nossa rotina com a maior naturalidade.

É no miolo romântico de Sobre Noites e Dias, sobre paixões e relações, que ele se mostra mais cronista, mas nem por isso menos extravagante. A divertida “Montanha Russa Sentimental” é quase uma comédia romântica ou um seriado brasileiro em forma de canção – Lucas toca quase todos os instrumentos (deixa uma guitarra com Malta e chama o Do Amor Ricardo Dias Gomes para conduzir o baixo marcante) e fala de burilar smartphones, comprimidos ansiolíticos, romance de cinema – vida real, doce ilusão, pressão e solitude numa canção que começa com o soar do sino pavloviano do Whatsapp.

Na linda “Alguém Assopra Ela” – clarinete, oboé, flauta e fagote arranjados e regidos pelo maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz - ele canta um presente futurista de “´pontes feitas de aço”, “camisetas que mudam de cor” e “asfalto que absorve CO2” que não descarta “onda, barco, vento, vela”, ressaltando a introspecção. Oposta à ela vem a apaixonada “Partículas de Amor”, hit composto com Gui Amabis, que transforma o sentimento em um saboroso laboratório de transformações, conduzidas pela conversa do cavaquinho de Lucas com o violão de sete cordas de Luis Felipe de Lima e o baixo do paralama Bi Ribeiro.

“Diário de uma Bicicleta” encerra o miolo apaixonado do disco e o traz de volta para a rua, em um rolê de “camelim” de Lucas com o rapper De Leve pelas ruas do Rio. Lucas canta um refrão em inglês e deixa o MC de Niterói conduzir sua bicicleta em seu característico flow da zoeira. A marchinha “Mariazinha Morena Clara” chama novamente o sax de Thiago França e o clarone de Juliana Perdigão para juntar-se ao baixo de Marcelo Dworeki, a guitarra de Kiko Dinucci e o cello de Vincent Segal para um desfile jocoso que implora à sua musa para parar no Rio de Janeiro e deixar para lá a os camarões da Holanda de Van Persie ou a beleza da Tailândia.

Vincent, Juliana, Kiko e Thiago seguem acompanhando Lucas na faixa seguinte, a estranha e desconfiada “Blind Date”, cantada em inglês, em que os instrumentos comportam-se de forma mais climática que melódica ou percussiva, sublinhando a tensão de que “o amor pode ser uma armadilha”. O disco termina com uma balada clássica e pensativa: “Velhinho” foi composta com Rica Amabis e o produtor do Instituto que toca piano ao lado da guitarra de Maurício Tagliari e do baixo de Klaus Senna. Juntos parecem desfiar a textura musical à base da repetição, fazendo o movimento contrário das cordas de Oslo no início do disco.

Sobre Noites e Dias se desfaz ao mesmo tempo em que conclui suas elucubrações sobre as transições e contradições de nossa era – homem x mulher, natureza x tecnologia, realidade x ilusão, sentimento x ciência, rua x apartamento, carro x bicicleta. Até a forma como o disco muda de clima entre uma canção e outra é próprio desse nosso cotidiano shuffle, mas aprendemos a conviver com isso. E é isso que Lucas comemora ao saudar a fase de transição da noite para o dia ao final do álbum: “Madrugada, vem caminhar fria e calma, traz o destino”, pedindo, finalmente para, brindar “a alma desse teu velho” – “agora jovem consigo” não é apenas uma conclusão, mas um convite para todos nós.

 

Pauta:  Patrícia Dornelas

Resenha: Show da cantora Céu no CIETEP setembro/2013 em Curitiba.

Céu cwb set 2013 (6)

Saudações,

Em parceria total com o site Mondo Bacana, realizamos mais uma cobertura, desta vez, vimos de perto o show da cantora e compositora paulista Céu em Curitiba.

Pauta: Mondo Bacana (Abonico Smith)

Texto & foto(s): André Mantra (Cena Low-Fi)

Revisão: Abonico Smith (Mondo Bacana).

No Brasil, atualmente, há cantoras em evidência que precisam de muita mídia televisiva, dançar, maquiar-se excessivamente, fazer uma superprodução para compensar as suas limitações vocais. Talvez isso explique o porquê da cantora e compositora Céu, em sua turnê homônima ao seu terceiro álbum Caravana Sereia Bloom, fazer apenas o que o público que lotou o Auditório do CIETEP de Curitiba( na noite de 22 de setembro de 2013) esperava: cantar bem e encantar sem perder a elegância.

Ao lado dos músicos Dustan Gallas (guitarra), Lucas Martins (baixo e vocais), Bruno Buarque (bateria) e DJ Marco (MPC e picape) e trajada com um look básico, Céu subiu ao palco para fazer 90 minutos de uma apresentação que, além de passear pelo sua discografia, apresentava o lado interprete em covers positivamente surpreendentes. Até as vinhetas presentes no álbum foram executadas e a primeira canção do show, “Fffree”, parecia mais um aquecimento vocal aos olhos do público para que “Falta de Ar” desse a certeza que a noite de fato havia começado.

Em “Amor de Antigos” e “Contravento”, ela usou instrumentos percussivos e começou a usar mais o espaço do palco, onde pouco a pouco dominava a situação. Em “Retrovisor” Céu mostrava-se mais solta e arriscava alguns movimentos, mas foi a interpretação impecável que sobressaiu. Na sequência vieram “Sereia” e “Grains de Beauté”, dando um clima mais sensual ao espetáculo. Depois, a cantora paulistana convidou as pessoas ficarem em pé para a repaginada em “Cangote”. Dezenas aceitaram o convite e aí ocorreu um dos pontos altos do show.

Céu conversou com o público e deu pistas do conceito do seu último trabalho. Revelou a influência da cantora Eydie Gormé, fez um cover de “Piel Canela” e  até apelidou a sua banda de Los Panchos (referência ao trio mexicano que acompanhou por diversas vezes a cantora nova-iorquina de jazz e pop, falecida no último mês de agosto). Talvez a maior surpresa do repertório tenha sido “Mil e Uma Noites de Amor” (sucesso radiofônico de Pepeu Gomes, que foi  trilha sonora da novela Roque Santeiro e um dos clássicos do baiano dos anos 1980). Desta forma revelou seu lado interprete e reforçou o conceito road disco de Caravana e que os ritmos das regiões Norte e do Nordeste brasileiro tornaram-se imprescindíveis aos arranjos.

A densa “Nascente” foi um presente ao fãs mais ardorosos por ouvir uma canção “lado B” do seu repertório. Daí em diante os hits do primeiro álbum estiveram intercalados com canções do álbum sucessor Vagarosa e do mais recente. Destaque para “10 Contados”, “Baile da Ilusão”, “Chegar em Mim” e a dobradinha “Malemolência/Lenda”. No bis teve apenas o reggae “Concrete Jungle”.

Céu cwb set 2013 (5)

E assim foi mais um show competente da cantora Céu em sua carreira, que nesta turnê muito bem sucedida procurou dar, literalmente, mais movimento ao seu show, O que nem precisava tanto. Afinal, basta ela fazer o que sabe: cantar e encantar o seu público com canções que falam por si. É melhor mesmo deixar a dança e outros recursos aquém do talento para quem ainda não ainda não pode fugir do playback e da mídia popular brasileira.

Set List: “Fffreee”, “Falta de Ar”, “Amor de Antigos”, “Contravento”, “Retrovisor”, “Sereia”, “Grains de Beauté”, “Cangote”, “Piel Canela”, “Nascente”,, “Mil & Uma Noites de Amor”, “10 Contados”, “Streets Bloom”, “Baile de Ilusão”, “Chegar em Mim”, “Malemolência/Lenda”, “Rainha”. Bis: “Concrete Jungle”.

 

Vem aí a décima edição do No Ar Coquetel Molotov no Recife.

Dias 18 e 19 de outubro no Teatro da UFPE - Recife-PE.

Dias 18 e 19 de outubro no Teatro da UFPE – Recife-PE.

Texto/matéria = Bruno V. Guimarães (assessoria No Ar)

NO AR COQUETEL MOLOTOV COMPLETA 10 EDIÇÕES ESPALHANDO MÚSICA E EUFORIA.

Nascido em 2004 no Recife, o festival No Ar Coquetel Molotov ampliou suas atividades ao longo dos anos, renovou atrações, trouxe diversos nomes de prestígio ao Brasil e se tornou referência por sua programação musical que equilibra tanto nomes consolidados quanto novidades do cenário independente. Em sua 10ª edição, que conta com incentivo do Funcultura, o No Ar Coquetel Molotov começa sua série de eventos no dia 29 de setembro e vai até o dia 19 de outubro.
A primeira das atividades comemorativas do festival ocorre dentro da programação musical do projeto Recife Antigo de Coração, no dia 29 de setembro. A partir das 14h, o publico que chegar ao Bairro do Recife vai poder conferir apresentações ao vivo nesta prévia do No Ar com o cantor Matheus Motta e a banda Saracotia, além de uma exposição de fotos que contam a história do No Ar. A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer, organizou o projeto em três polos (infantil, esportivo e cultural) garantindo novas opções para aproveitar o domingo fugindo da rotina.
A partir do dia 08 de outubro, o festival prossegue seu cronograma de atividades multimídia com a Mostra Play The Movie no auditório e na área externa do MAMAM – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães. A mostra, que apresenta produções de cinema e vídeo ligadas à música, já passou pelo Cinema da Fundação, Cine-Teatro Apolo e Cinema São Luiz. Neste ano, a programação da Play The Movie vem com filmes e documentários de diversas épocas que ainda não haviam sido exibidos. As sessões são gratuitas e ocorrem entre os dias 08 e 10 de outubro, a partir das 17h.
Na semana seguinte, o MAMAM abriga uma série de debates envolvendo profissionais de diversas áreas para discutir temas ligados a cultura contemporânea. Em parceria com o UK Pub, o No Ar programou uma noite de festa com discotecagem de convidados no dia 15 de outubro à noite como aquecimento para a maratona de apresentações ao vivo que acontece no fim de semana posterior.

Depois desse período intenso de atividades, nos dias 18 e 19 de outubro, o Teatro da UFPE, palco de momentos históricos do evento, vai abrigar nesta 10ª edição do No Ar shows com Rodrigo Amarante (RJ), Bixiga 70 (SP), Clarice Falcão (PE), Metá Metá (SP), Cícero (RJ), Juvenil Silva (PE), Hurtmold (SP) e Perfume Genius (EUA).
A programação musical tem início às 17h com showcases gratuitos na Red Bull Music Academy Stage, um espaço completamente reformulado no Centro de Convenções da UFPE, que ganhou curadoria conjunta da Red Bull com a produção do evento trazendo como atrações: Maurício Fleury (SP), Claudio N (PE), Rafael Castro (SP), Team Ghost (França), Grassmass (PE), Opala (RJ), Memória de Peixe (Portugal) e Karol Conká (PR).

Os ingressos para os shows no Teatro da UFPE estarão à venda na Refazenda (Shopping Recife, Paço Alfândega e Aflitos).

E encerrando extraoficialmente o No Ar em seus dez anos de vida, a produtora vai realizar um show especial no Cine Joia em São Paulo, no dia 20 de outubro, com a presença do cantor Thiago Pethit e o Perfume Genius.
cartaz No Ar 2013

PROGRAMAÇÃO – NO AR COQUETEL MOLOTOV – 10 ANOS
PRÉVIA – RECIFE ANTIGO DE CORAÇÃO
Bairro do Recife – 29/09 – 14h
Shows com Matheus Mota (PE) e Saracotia (PE)
PLAY THE MOVIE
MAMAM – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – 08 a 10/10 – 17h
Filmes e documentários nacionais e internacionais
DEBATES E SEMINÁRIOS
MAMAM – Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – 15 a 17/10 – 19h
Discussões sobre arte, linguagens e cotidiano
PRÉVIA – FESTA
UK Pub – 15/10 – 21h
Show e discotecagem com convidados
NO AR COQUETEL MOLOTOV – SHOWCASES
Red Bull Music Academy Stage – 18/10 – 17h
Mauricio Fleury (SP), Claudio N (PE), Rafael Castro (SP) e Team Ghost (França)
NO AR COQUETEL MOLOTOV – SHOWS
Teatro da UFPE – 18/10 – 21h
Juvenil Silva (PE), Hurtmold (SP), Cícero (RJ) e Rodrigo Amarante (RJ)
NO AR COQUETEL MOLOTOV - SHOWCASES
Red Bull Music Academy Stage – 19/10 – 17h
Grassmass (PE), Opala (RJ), Memória de Peixe (Portugal) e Karol Conká (PR)
NO AR COQUETEL MOLOTOV – SHOWS
Teatro da UFPE – 19/10 – 21h
Bixiga 70 (SP), Perfume Genius (EUA), Metá Metá (SP) e Clarice Falcão (PE)
SHOWS EM SÃO PAULO
Cine Joia – 20/10
Shows com Thiago Pethit (SP) e Perfume Genius (EUA)

 

Bixiga 70 lança o seu segundo álbum

Bixiga 70 por Nicole Heiniger.

Bixiga 70 por Nicole Heiniger.

Colaboração/matéria = Patrícia Dornelas & Ramiro Zwetsch.

A música é instrumental mas o discurso é claro. Bixiga 70 chega chegando ao segundo disco: o groove ficou mais pesado; guitarras e teclados agora estão na linha de frente junto com os metais; bateria, baixo e percussões impulsionam os arranjos sem massagem; a ira se espalha pelos timbres, pelas linhas melódicas, pelos riffs – a temperatura subiu geral. Terreiro, Jamaica, dinâmicas jazzísticas, Pará, Etiópia e um clima de “blaxploitation à brasileira” se misturam com equilíbrio. A influência do afrobeat – supracitada nas boas críticas do primeiro disco, de 2011 – agora se dilui num mar de referências e o som alcançado identifica a banda como uma impressão digital. A África, afinal, é o mundo inteiro.

O trompete que chora no solo de “Deixa a Gira Girá” (ponto de candomblé, já adaptado pelo trio baiano Os Tincoãs, em 1973); a bateria que demole qualquer tropa de choque em “Ocupaí”; a guitarra que insinua um certo mistério em “5 Esquinas”; o sintetizador que evoca o futurismo em “Kriptonita”; o lamento coletivo na saideira, “Isa”; tudo parece reverberar a frequência que tomou as ruas do Brasil em junho de 2013 – mês em que a banda finalizou este segundo disco, com produção de seus integrantes e mixagem de Victor Rice. O processo de composição coletivo no estúdio e o entrosamento afinado em turnês azeitou – ou melhor, “vinagrou” – a química.

Capa do segundo álbum do Bixiga 70.

Capa do segundo álbum do Bixiga 70.

A 13 de maio reflete junho de 2013. É no número 70 da rua mais famosa do Bixiga que a banda ensaia e grava, na sede do estúdio Traquitana, mesmo endereço que, uma vez por ano desde 2007, vê as ruas tomadas para a realização do Dia do Graffiti – mais um exemplo de evento que ocupa as ruas de São Paulo com programação cultural gratuita, ao ar livre. Rua. Ocupação. Música. Não é só no mapa de São Paulo que o Bixiga fica ali colado na Liberdade. Avante!

Ramiro Zwetsch / Radiola Urbana / Junho de 2013 

 

Faixas do disco:

1. Deixa a Gira Girá (Domínio Público)*

2. Ocupai (Rômulo Nardes, Cuca Ferreira e Bixiga 70)

3. Kalimba (Cris Scabello e Bixiga 70)

4. 5 Esquinas (Décio 7 e Bixiga 70)

5. Kriptonita (Décio 7 e Bixiga 70)

6. Tigre (Cris Scabello e Bixiga 70)

7. Tangará (Mauricio Fleury, Cuca Ferreira e Bixiga 70)**

8. Retirantes (Cris Scabello e Bixiga 70)

9. Isa (Marcelo Dworecki e Bixiga 70)

 

* adaptação do arranjo da faixa de mesmo nome do disco Os Tincoãs (1973)
** faixa-bônus presente apenas na edição digital (mp3 e CD).

Sobre o Bixiga 70

A banda Bixiga 70 formou-se a partir da união de vários músicos já conhecidos da cena paulistana a partir de trabalhos desenvolvidos no estúdio Traquitana, localizado no coração boêmio do centro de São Paulo. Vindos das mais variadas frentes musicais, juntaram-se membros que acompanham diversos grupos e artistas como Rockers Control, Projeto Coisa Fina, ProjetoNave, Pipo Pegoraro, Anelis Assumpção, Emicida, Rodrigo Campos, Alzira E, entre outros, para explorar o território de fusão da música instrumental africana, latina e brasileira em composições próprias e versões de artistas brasileiros como Luiz Gonzaga, Pedro Santos e Os Tincoãs.

O nome Bixiga 70 está ligado ao endereço do estúdio onde o conjunto nasceu: o número 70 da rua Treze de Maio. Considerado por muitos como o berço do samba paulistano, o bairro do Bixiga também hospeda e alimenta a imaginação desses dez músicos que buscam estreitar os laços entre o passado e o futuro através de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros, da música malinké, da psicodelia, do dub e de uma atitude despretensiosa e sem limites para o improviso e a dança.

O primeiro álbum do grupo, lançado no fim do ano de 2011 foi aclamado por público e crítica, figurando nas principais listas de melhores discos do ano em diversos veículos nacionais. 

As apresentações ao vivo, sempre repletas de energia, renderam ao Bixiga 70 convites para diversos shows em festivais importantes do Brasil, como por exemplo, o palco principal da Virada Cultural de São Paulo em 2012, Rec Beat 2012 e Porto Musical 2013 em Recife, Nova Consciência em Campina Grande, Festival de Inverno de Garanhuns, Conexão Vivo, entre outros. 

Ainda em 2012, participou do festival de afrobeat Felabration em Amsterdam ao lado de figuras importantes deste cenário como Tony Allen, Jungle By Night e Woima Collective. 

Em julho de 2013, a banda viajou à Europa em nova turnê. Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda e França foram os países escolhidos na nova temporada pelo continente. Destaque para as apresentações no renomado “Roskilde Festival “(Roskilde, Dinamarca) e no “Aux Heures d’Eté”(Nantes, França).

De volta ao Brasil,  o Bixiga 70 lança o seu segundo trabalho, em setembro de 2013. Com produção e arranjos de autoria da banda, o disco reflete o aprofundamento do conjunto em suas influências, ao mesmo tempo em que aponta novos caminhos e sonoridade. Sem título, como o primeiro, é obra totalmente independente e conta novamente com a mixagem de Victor Rice e a arte de MZK.