[resenha] Cícero mesmo sem “ensaio”, fez o sábado do curitibano mais feliz.

Fonte: Polarize

Fonte: Polarize

Resenha – Cícero – Music Hall 27.09.2014

Falar a respeito de um show de Cícero Rosa Lins, ou simplesmente Cícero, é sempre assim: o artista carioca é relativamente (des)conhecido da massa e até mesmo dos considerados indies, mesmo três anos após o lançamento do álbum “Canções de Apartamento”, um sucesso nascido na internet enquanto seu segundo álbum “Sábado” (2013) que segue o mesmo caminho. Lota os locais onde é convidado a se apresentar junto ao seu jovem e caloroso público (e foi assim no Music Hall, no bairro Rebouças), necessitando de poucos canais de divulgação tradicionais ou de massa. Parecia uma aposta muito ousada por parte da produtora Polarize, contudo, os vários pontos de venda dentro ou nos arredores dos Shoppings e no centro da cidade, além do “boca a boca digital”, deram conta do recado.

A noite de 27 de setembro de 2014, a segunda do cantor e compositor em Curitiba em dois anos, se deu “sem alardes e sem surpresas”, trazendo o esperado por todos:  17 canções ou 68 minutos de poemas melancólicos, acordes dissonantes e ruídos à shoegaze, envolveram as centenas de pessoas que cabiam no local dos shows daquela noite .

cicero music hall

O evento contou com a abertura musical breve, mas luxuosa da banda Simonani (PR). Após o primeiro show e dezenas de canções melancólicas em língua estrangeira via Dj, finalizado por duas canções consecutivas do Radiohead, o público recebeu o quarteto que acompanha a principal atração da noite, formado por: Bruno Schulz (teclado/acordeon), Uirá Bueno (bateria), Gabriel Ventura (guitarra) e Cairê Rego (baixo). Subiram ao palco às 23h45 e aos acordes de Fuga nº 3 da Rua Nestor” e a histeria e paixão dos fãs começou a tomar conta do lugar. Em seguida apresentaram “Capim-Limão”, mas foi em “Vagalumes Cegos”, a primeira música de Canções de Apartamento (2011), que os celulares, tablets e máquinas fotográficas saltaram aos olhos na mesma medida do canto dos fãs, que ecoava forte por todos os cantos do Music Hall.

Cícero é de poucas palavras para seu público fiel, e fez durante toda a sua apresentação, a mesma expressão de surpresa a cada intervalo entre uma música e outra, lançando mão de muitos agradecimentos acalorados. Para ter uma noção, somente após a 13ª música do show (“Duas Quadras”) o cantor bateu um papo de 10 segundos de duração! Sim, o artista permanece tímido, apesar de toda adoração e simpatia das pessoas que estavam diante dos seus olhos. Até parecia reconhecer algumas pessoas presentes no Teatro Paiol em outubro de 2012, quando o artista realizou duas sessões num mesmo local pela primeira vez.

Vários pontos altos foram vistos, e o mais evidente ficou por conta da sequência Laiá Laiá”, “Ponto Cego”, “Pra Animar o Bar” e “Tempo de Pipa”.  Era muito evidente a empolgação da banda e do próprio Cícero nos momentos de maior prevalência dos ruídos e distorções das guitarras e ataques insanos por parte do baterista Uirá Bueno, então quem sabe daí venha algum indício da sonoridade do próximo trabalho? Previsões a parte, o show seguiu, e as palmas sincronizadas entre a banda e plateia para marcar o compasso de “Frevo Por Acaso” foram suficientes para consagrar a primeira parte da apresentação.

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Mal a banda deixou o palco e o público exigia o bis, na esperança de ouvir “Ensaio Sobre Ela”, do primeiro álbum, mas Cícero & Cia voltariam com “Asa Delta”, ameaçando ir embora definitivamente. Porém, os pedidos pela canção favorita permaneciam, e para finalizar Cícero tocou (para certa frustração dos presentes) “Pelo Interfone”, e assim, finalmente, o reencontro de Cícero Rosa Lins com o público curitibano foi definido…nos resta agora esperar a próxima primavera, quem sabe?! Nos resta agora aguardar mais um show entre outras boas novas, de preferência o mais breve possível.

[CLF News] ruído/mm lança “Rasura” oficialmente em 27 de setembro (2014) em Curitiba

Pauta produzida por: Inker Agência Cultural.

Cartaz para divulgação do show de lançamento do álbum "Rasura"

Cartaz para divulgação do show de lançamento do álbum “Rasura”

O nome da banda é ruído/mm (leia-se ruído por milímetro, escreva-se em minúsculas mesmo): uma unidade imaginária criada para representar aquilo que não pode ser descrito. Um quadro, uma paisagem: eventos contemplativos. Esta é a comparação e a aproximação que o ruído/mm tenta desenvolver e registrar com suas composições –  experimentos e sonoridades estranhas que buscam atingir o ouvinte de maneira sinestésica. O som, indescritível. Uma teia de eventos sonoros explorados à exaustão; experimentais, viscerais, criativos. Calma ou explosiva, a música instrumental do ruído/mm embala os pensamentos e faz mexer o corpo em uma mistura que vai do jazz ao punk, da psicodelia ao pós-rock – e o que mais vier.
Rasura, o álbum:
Três anos após o lançamento do seu terceiro disco, o ruído/mm está de volta comRasura. Considerada por boa parte da crítica nacional uma das melhores bandas de post-rock do Brasil, o grupo curitibano já faz barulho há onze anos, tendo se tornado um clássico do nosso recente rock instrumental.
Dentro da obra da banda, Rasura segue mais conciso e direto, em uma forma bonita, segura e limpa. O piano cede espaço a novos timbres, enquanto as guitarras ganham força redobrada. Novidades sônicas permeiam o terreno já dominado por eles, deixando claro que estão maduros o suficiente para brincarem com diferentes melodias e surpresas, sem esquecerem do ruído e da distorção na hora que convém.Mark Kramer, o cara que trabalhou com o Galaxy 500, Butthole Surfers e Urge Overkill (com dedo na tarantinesca “Girl, You’ll Be a Woman Soon”), fez a master desse trabalho. O selo Sinewave endossa o disco.
O álbum Rasura foi resultado de um projeto de mecenato aprovado pela Fundação Cultural de Curitiba, com incentivo da Caixa Econômica Federal. São oito faixas que convidam para uma viagem sensorial.

Feche os olhos e abra a mente.Serviço do show de lançamento de Rasura:

27 de Setembro (sábado), às 20h
SESC da Esquina
Rua Visconde do Rio Branco, 969 – Curitiba-PR
Ingressos antecipados disponíveis no local a R$12 (inteira) e R$6 (meia).
Mais informações: 41 3304-2222

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/894681447212204/

Bio:
Criado em 2003, em Curitiba, o ruído/mm é hoje um dos principais representantes da cena post-rock brasileira. O quinteto ruidoso vem difundindo seu trabalho nas principais casas de shows e festivais pelo Brasil, como o Festival Lab (AL); Coquetel Molotov (PE); Sinewave Festival (PR); Teatro Paiol (PR); Conexão Vivo (MG); Sesc Pompeia (SP); Festival Macondo (RS), entre muitos outros.Na web, a banda amplifica seu alcance através de jornalistas, blogueiros e admiradores de dentro e fora do país. Os discos anteriores Série Cinza (Ruído Corporation, 2004), A Praia (Open Field Records, 2008) e Introdução à Cortina do Sótão (Sinewave, 2011)

Formação:•    Alexandre Liblik: piano, teclado e escaleta
•    André Ramiro: guitarra
•    Felipe Ayres: guitarra e efeitos eletrônicos
•    Giovani Farina: bateria
•    Rafael Panke: baixo
•    Ricardo Pill: guitarra

Ficha técnica Rasura:

1) Bandon
2) Eletrostática
3) Cromaqui  
4) Transibéria
5) Inconstantina
6) Filete
7) Requiem for a western manga (西部マンガ)
8) Penhascos, desfiladeiros e outros sonhos de fuga

Gravado e mixado no estúdio Click Audioworks
(www.clickaudioworks.com.brem Curitiba, no primeiro semestre de 2014

Masterizado por KRAMER no estúdio Miami Noise

Técnico de gravação: Paulo Bueno
Assistentes de gravação: Murilo Macari, Diogo Shiroma e Emannuel Fraga
Técnico em ProTools: Diogo Shiroma
Mixagem: Paulo Bueno e Rafael Panke
Produção: Rafael Panke
Masterização: Mark Kramer

Arte-colagens por Mário de Alencar
Foto por Melanie d’Haese
Encarte por Jaime Silveira

Todas as músicas por ruído/mm.

Links:
Site oficial – www.ruidomm.com
Facebook –  facebook.com/ruidomm
Twitter – @ruidomm
YouTube – youtube.com/ruidomm
Soundcloud – soundcloud.com/ruidopormilimetro
BandCamp – ruidopormilimetro.bandcamp.com

Para baixar o álbum “Rasura”, clique aqui.

Por onde andou ou andará o Autoramas? Quem sabe na Europa?!

Pauta: Autoramas

 

Depois de 55 shows (durante os meses de maio e agosto) no verão europeu, o AUTORAMAS voltará à Europa em 30 de Outubro de 2014, presença confirmada no sensacional FUNTASTIC DRACULA CARNIVAL, em Benidorm, na Espanha ! Ingressos esgotados! Os cariocas ainda disponibilizaram dois vídeos (um deles um show completo no Reino Unido) que registram essa mega tour para os padrões brasileiros em continente europeu. É isso aí.

“Sobre Noites e Dias” é o sexto álbum de Lucas Santtana; e você vai adorar saber.

Lucas Santtana por Loiro Cunha

Lucas Santtana por Loiro Cunha

Saudações, abaixo além do release pra lá de inspirado e detalhista de Alexandre Matias, as faixas do sexto trabalho de estúdio do baiano Lucas Santtana,“Sobre noites e dias” o sucessor do excelente O Deus Que Devasta Mas Também Cura certamente veio para entrar não só no sua lista de melhores de 2014, como no top 3 do inspiradíssimo artista.

As cordas do quarteto Oslo Strings repetem-se lentamente sobre uma sequência de acordes, como um tear mecânico que programa uma matriz sonora hipnótica. Lucas Santtana canta desde o primeiro segundo, sua voz manhosa e quieta de bom baiano contrapondo-se ao tom épico criado pelas cordas. Canta em inglês, conversa com computadores, tablets e smartphones – “máquinas complexas, seres complexos”. Sobre as cordas surgem outros instrumentos – a linha de baixo de Caetano Malta, beats e efeitos sonoros disparados pelo produtor Bruno Buarque, synths conduzidos por Lucas, ruídos de Zé Nigro, o piano de Zé Godoy e o clarone de Juliana Perdigão vão se envolvendo à textura do quarteto até que a exatos dois minutos após o início da música Lucas pergunta-se sobre as dúvidas destes seres, que nos escravizam através do tempo. “Onde está o tempo humano?”, cobra o compositor sem afobação no momento em que “Human Time” se revela em toda sua grandiosidade.

Estamos entrando em um território de ficção científica, mas não há alienígenas, robôs ou dimensões paralelas. A jornada proposta por Lucas no início de sua conversa é estranhamente familiar, mesmo quando a atriz Fanny Ardant sussurra a letra em francês.. Ao nosso redor o brilho de telas que respiram como plantas cria uma redoma de futurismo tecnológico que parece dar o tom do disco, mas os beats vão se reduzindo a uma batida que nos remete a uma máquina de escrever e a música some de repente, ao contrário da forma que começou.

“Human Time”, no entanto, nos engana. Lucas Santtana não está falando do futuro, não está projetando nada para depois de amanhã. Não é ficção, nem científico. Ele está falando de hoje – e a segunda faixa de seu Sobre Noites e Dias, o “Funk dos Bromânticos” nos leva para o extremo oposto da canção anterior. Cantada em português, é um funk carioca como seu título entrega. Mas que cordas são essas, arranjadas pelo próprio Lucas? E esses timbres de guitarra do Junix 11, de onde vêm? E esses tambores digitais tocados por Omulu e Daniel Haaksman? E linha do Seco Bass, que soa como um sapo? E a Camila Pitanga fazendo beatbox? Atéo s “bromânticos” do título – casal que transcende os gêneros no início do século 21, “ela não é gay, ele não é viado e não são mais classificados” – é tão alienígena quanto corriqueiro. Lucas está enfatizando as mudanças de nosso tempo e mostrando que por mais que os conceitos do mundo atual pareçam estranhos, eles são bem mundanos e conhecidos. Descemos da transcendência tecnológica para uma festa de beijos sem culpa.

E o disco segue apontando novos rumos. “Let the Night Get High”, apesar de seu título-refrão em inglês, é cantada em espanhol. Aqui sua banda básica – sua guitarra africana, o baixo firme de Caetano Malta e os efeitos rítmicos de Bruno Buarque – se junta ao sax endiabrado e à flauta eletrônica de Thiago França, numa jam session que desbrava a noite. O clima é tenso e audaz, marginal e íntimo. “Por que el drama?”, pergunta-nos com um sorriso malandro.

Lucas diz que Sobre Noites e Dias reúne crônicas do dia a dia, mas ele não está apenas contando pequenas histórias – ele vem flagrando as mudanças e transformações deste início de século, os paradoxos e contradições da vida pós-moderna e a forma como superamos estes dramas, assimilando-os à nossa rotina com a maior naturalidade.

É no miolo romântico de Sobre Noites e Dias, sobre paixões e relações, que ele se mostra mais cronista, mas nem por isso menos extravagante. A divertida “Montanha Russa Sentimental” é quase uma comédia romântica ou um seriado brasileiro em forma de canção – Lucas toca quase todos os instrumentos (deixa uma guitarra com Malta e chama o Do Amor Ricardo Dias Gomes para conduzir o baixo marcante) e fala de burilar smartphones, comprimidos ansiolíticos, romance de cinema – vida real, doce ilusão, pressão e solitude numa canção que começa com o soar do sino pavloviano do Whatsapp.

Na linda “Alguém Assopra Ela” – clarinete, oboé, flauta e fagote arranjados e regidos pelo maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz - ele canta um presente futurista de “´pontes feitas de aço”, “camisetas que mudam de cor” e “asfalto que absorve CO2” que não descarta “onda, barco, vento, vela”, ressaltando a introspecção. Oposta à ela vem a apaixonada “Partículas de Amor”, hit composto com Gui Amabis, que transforma o sentimento em um saboroso laboratório de transformações, conduzidas pela conversa do cavaquinho de Lucas com o violão de sete cordas de Luis Felipe de Lima e o baixo do paralama Bi Ribeiro.

“Diário de uma Bicicleta” encerra o miolo apaixonado do disco e o traz de volta para a rua, em um rolê de “camelim” de Lucas com o rapper De Leve pelas ruas do Rio. Lucas canta um refrão em inglês e deixa o MC de Niterói conduzir sua bicicleta em seu característico flow da zoeira. A marchinha “Mariazinha Morena Clara” chama novamente o sax de Thiago França e o clarone de Juliana Perdigão para juntar-se ao baixo de Marcelo Dworeki, a guitarra de Kiko Dinucci e o cello de Vincent Segal para um desfile jocoso que implora à sua musa para parar no Rio de Janeiro e deixar para lá a os camarões da Holanda de Van Persie ou a beleza da Tailândia.

Vincent, Juliana, Kiko e Thiago seguem acompanhando Lucas na faixa seguinte, a estranha e desconfiada “Blind Date”, cantada em inglês, em que os instrumentos comportam-se de forma mais climática que melódica ou percussiva, sublinhando a tensão de que “o amor pode ser uma armadilha”. O disco termina com uma balada clássica e pensativa: “Velhinho” foi composta com Rica Amabis e o produtor do Instituto que toca piano ao lado da guitarra de Maurício Tagliari e do baixo de Klaus Senna. Juntos parecem desfiar a textura musical à base da repetição, fazendo o movimento contrário das cordas de Oslo no início do disco.

Sobre Noites e Dias se desfaz ao mesmo tempo em que conclui suas elucubrações sobre as transições e contradições de nossa era – homem x mulher, natureza x tecnologia, realidade x ilusão, sentimento x ciência, rua x apartamento, carro x bicicleta. Até a forma como o disco muda de clima entre uma canção e outra é próprio desse nosso cotidiano shuffle, mas aprendemos a conviver com isso. E é isso que Lucas comemora ao saudar a fase de transição da noite para o dia ao final do álbum: “Madrugada, vem caminhar fria e calma, traz o destino”, pedindo, finalmente para, brindar “a alma desse teu velho” – “agora jovem consigo” não é apenas uma conclusão, mas um convite para todos nós.

 

Pauta:  Patrícia Dornelas

Resenha: Show da cantora Céu no CIETEP setembro/2013 em Curitiba.

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Saudações,

Em parceria total com o site Mondo Bacana, realizamos mais uma cobertura, desta vez, vimos de perto o show da cantora e compositora paulista Céu em Curitiba.

Pauta: Mondo Bacana (Abonico Smith)

Texto & foto(s): André Mantra (Cena Low-Fi)

Revisão: Abonico Smith (Mondo Bacana).

No Brasil, atualmente, há cantoras em evidência que precisam de muita mídia televisiva, dançar, maquiar-se excessivamente, fazer uma superprodução para compensar as suas limitações vocais. Talvez isso explique o porquê da cantora e compositora Céu, em sua turnê homônima ao seu terceiro álbum Caravana Sereia Bloom, fazer apenas o que o público que lotou o Auditório do CIETEP de Curitiba( na noite de 22 de setembro de 2013) esperava: cantar bem e encantar sem perder a elegância.

Ao lado dos músicos Dustan Gallas (guitarra), Lucas Martins (baixo e vocais), Bruno Buarque (bateria) e DJ Marco (MPC e picape) e trajada com um look básico, Céu subiu ao palco para fazer 90 minutos de uma apresentação que, além de passear pelo sua discografia, apresentava o lado interprete em covers positivamente surpreendentes. Até as vinhetas presentes no álbum foram executadas e a primeira canção do show, “Fffree”, parecia mais um aquecimento vocal aos olhos do público para que “Falta de Ar” desse a certeza que a noite de fato havia começado.

Em “Amor de Antigos” e “Contravento”, ela usou instrumentos percussivos e começou a usar mais o espaço do palco, onde pouco a pouco dominava a situação. Em “Retrovisor” Céu mostrava-se mais solta e arriscava alguns movimentos, mas foi a interpretação impecável que sobressaiu. Na sequência vieram “Sereia” e “Grains de Beauté”, dando um clima mais sensual ao espetáculo. Depois, a cantora paulistana convidou as pessoas ficarem em pé para a repaginada em “Cangote”. Dezenas aceitaram o convite e aí ocorreu um dos pontos altos do show.

Céu conversou com o público e deu pistas do conceito do seu último trabalho. Revelou a influência da cantora Eydie Gormé, fez um cover de “Piel Canela” e  até apelidou a sua banda de Los Panchos (referência ao trio mexicano que acompanhou por diversas vezes a cantora nova-iorquina de jazz e pop, falecida no último mês de agosto). Talvez a maior surpresa do repertório tenha sido “Mil e Uma Noites de Amor” (sucesso radiofônico de Pepeu Gomes, que foi  trilha sonora da novela Roque Santeiro e um dos clássicos do baiano dos anos 1980). Desta forma revelou seu lado interprete e reforçou o conceito road disco de Caravana e que os ritmos das regiões Norte e do Nordeste brasileiro tornaram-se imprescindíveis aos arranjos.

A densa “Nascente” foi um presente ao fãs mais ardorosos por ouvir uma canção “lado B” do seu repertório. Daí em diante os hits do primeiro álbum estiveram intercalados com canções do álbum sucessor Vagarosa e do mais recente. Destaque para “10 Contados”, “Baile da Ilusão”, “Chegar em Mim” e a dobradinha “Malemolência/Lenda”. No bis teve apenas o reggae “Concrete Jungle”.

Céu cwb set 2013 (5)

E assim foi mais um show competente da cantora Céu em sua carreira, que nesta turnê muito bem sucedida procurou dar, literalmente, mais movimento ao seu show, O que nem precisava tanto. Afinal, basta ela fazer o que sabe: cantar e encantar o seu público com canções que falam por si. É melhor mesmo deixar a dança e outros recursos aquém do talento para quem ainda não ainda não pode fugir do playback e da mídia popular brasileira.

Set List: “Fffreee”, “Falta de Ar”, “Amor de Antigos”, “Contravento”, “Retrovisor”, “Sereia”, “Grains de Beauté”, “Cangote”, “Piel Canela”, “Nascente”,, “Mil & Uma Noites de Amor”, “10 Contados”, “Streets Bloom”, “Baile de Ilusão”, “Chegar em Mim”, “Malemolência/Lenda”, “Rainha”. Bis: “Concrete Jungle”.